Arte pela arte - Parte I
O crescimento de uma página importante...
Visualmente, o soneto é uma obra de arte. Basta olhar para a foto de um poema e podemos dizer se ele obedece ou não a primeira regra dos sonetos: os 14 versos, ora dispostos em dois quartetos e dois tercetos (soneto guitoniano), ora em três quartetos e um dístico (soneto inglês). Há exceções, é claro, dado o modernismo de alguns autores. Obtém-se, com a beleza plástica, um elemento adicional à sonoridade, posicionamento de rimas e métrica, características indispensáveis de um bom poema.
Foi esta a beleza que encontrei quando iniciei a pesquisa por sonetos para incrementar o conteúdo do sítio. Ela estava presente em diversos manuscritos, obras raras que permaneciam ocultas entre milhões de outros texto e imagens espalhados pela Web, algumas quase "perdidas" (hoje, nem o sítio original onde estavam existe mais)... Versos escritos na pedra, no bronze, até num prendedor de cabelos de prata... Aos poucos, eu via ali um conteúdo que o tempo poderia deixar para trás, perdido entre tantas outras figuras interessantes que hoje se confundem com o banal na pseudo-democrática e pseudo-organizada rede.
Toda essa preocupação despertou-me o interesse (missão?) de recuperar a arte dos 14 versos através de manifestações visuais. Foi pensando nisso que criei a página Soneto-Arte, hoje uma das maiores conquistas obtidas por Sonetos.com.br. Juntando manuscritos de Michelângelo, Rosseti e Bilac, jamais imaginei o quanto ela cresceria em importância (pelo menos para mim) e em significação artística. É um trabalho de que tenho orgulho, pelo material ali reunido. E, ao vê-lo entre os primeiros resultados nos buscadores, quando se pesquisa por "soneto", obtenho um reconhecimento pelo esforço de "garimpagem" das obras, contando, em alguns casos, com a ajuda de internautas e - creia, caro leitor - com a sorte.
...passa por uma página qualquer...
Como agradecimento, quero contar uns episódios curiosos neste blog sobre como consegui reunir todo o material lá exposto... Navegue comigo nesse prazeroso dever de reunir parte da história em torno de uma composição mágica. Começaremos pela descoberta da Coroa de Sonetos, da figura abaixo:
Você já chegou ao ponto de sua vida em que teve a sensação de que aquilo que faz é o que realmente veio ao mundo para fazer? Que já existe um caminho escrito em cada passo de sua trajetória? Pois é, isso aconteceu comigo. Um dia, eu estava passeando por uma agência de publicidade quando folheei um livro chamado O Poder dos Limites (Gyorgy Doczi, Ed. Mercurio). Muito antes de O Código da Vinci falar sobre a seqüência de Fibonacci, essa interessante exposição do autor - um arquiteto húngaro - já relacionava-a com diversos aspectos do mundo que conhecemos, desde pinturas e conchas a templos chineses e ao corpo humano.
Pois bem, um dia (entenda-se: anos depois) eu lembrei do livro e - não sei por que razão - resolvi comprá-lo. Tive que pesquisar sobre o assunto, pois nem lembrava do título. Um amigo acabou ajudando. Logo no início, li as primeiras páginas com fervor, mas após algum tempo deixei-o na estante junto com outros do meu acervo de leituras inacabadas. Li muitas obras por completo, sim, porém há aquelas que por alguma razão não consegui terminar de ler...
Enfim, eis que um dia (entenda-se: anos depois do dia anterior), numa tarde chuvosa de domingo, eu olhei para a prateleria onde os livros lidos, os não lidos e os parcialmente lidos repousavam e me perguntei: será que encontrarei um soneto perdido dentro de algum deles? Era a primeira vez que fazia isso; tentei outras, posteriormente, sem o mesmo "sucesso". Minha mão então passeou pelos títulos e selecionou, ao acaso, O Poder dos Limites... Ao acaso, abri-o numa página... Mais precisamente, na página 136. Eis que, na página ao lado, comecei a ler aquilo que era difícil de acreditar... Numa dessas coincidências (que me deixou assustado e emocionado na ocasião), obtive uma descrição de como o soneto penetrava no mundo das formas perfeitas (missão!) e, ao virar a página, deparei-me com a figura...
Nunca, nem quando eu descobrira que o meu nome era um verso alexandrino, igual ao do Bilac, nem quando percebera que o nome do sítio era um verso decassílabo heróico, sentira-me tão próximo dos sonetos. Era como se todos os dias, desde o encontro com o livro, tivessem aquele momento como destino... Era uma espécie de resposta positiva aos dois anos que já tinha destinado ao Sonetos e à página de arte... Algo difícil de explicar, mas que deve ser igual à sensação do médico que se encontra no lugar certo e na hora certa para salvar uma vida... Dali nasceu uma motivação que me carrega até hoje por manter o sítio atualizado. No dia seguinte, corri para a Internet para procurar a figura, a fim de publicá-la. Acabei tendo que escanear do próprio livro.
Finda a história, pude colocar mais um valioso tijolo no casa que construo há cinco anos. Por isso, e por tudo o que o episódio representou, destaco novamente no Sonetos a importância da leitura. Ler é aventurar-se por universos desconhecidos e descobrir maravilhas capazes de encher-te de alegria numa tarde chuvosa de domingo. Eu tive a sorte de descobrir um tesouro onde menos esperava... E você?
Leia!


1 comentários:
pa-ra-béns pelo sonetos.com.br e tudo que vem como um rico bônus (blog, rimador, busca de sonetos, dicas, informações, ensinos...)
não sou poetisa, sou leitora e admiradora e obras e trabalhos tocantes, que enriquecem intelecto, espírito e emoções. tal qual o conteúdo do site e do blog. pa-ra-béns novamente.
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