Bebida e Poesia
Há alguns estudos que exaltam a capacidade inspirada da juventude onde, em relação à poesia, os versos são escritos com mais intensidade e beleza do que em outras fases da vida. Eu devia ser um exemplo disso, devido à maioria dos meus sonetos provir do período entre os dezoito e os vinte e um anos. No entanto, recentemente (já nos meus 30), passei por uma outra era de produção acelerada, na qual criei alguns sonetos que aprecio, por exemplo Mil Vezes, Bênção e Mãe, o que me fez divagar sobre o desprendimento entre inspiração e idade.
Há pouco tempo, no sítio, provoquei os visitantes ao dizer que existem três fontes "divinas" que inspiram: o amor (ainda não correspondido), a tristeza (por um amor perdido) e a bebida. Todos eles estão relacionados de certo modo à flor da idade, em que aprendemos a nos conhecer, a amar, a sofrer por um amor e a passar a noite em um boteco com amigos... Depois, pensando com mais calma, percebi que as duas primeiras fontes é que dão motivos para escrever versos belos. A terceira - dentro de certos limites - simplesmente acelera o processo dessas sensações e dispara a vontade (ou inibe a timidez) para externá-las. Não é à toa que escrevi aqueles sonetos do parágrafo anterior, numa fase de extremo sentimento e razoável nível de álcool no sangue...
Desse modo, passei a pesquisar qual a relação entre bebida e poesia. Confesso que não encontrei muita coisa, nem mesmo em outros idiomas. Mas teve um sítio da Web que deu uma dica do que devia estar acontecendo. Nele, a Dra. Shirley de Campos descreve à euforia relacionada ao desprendimento cerebral:
"... em pequenas quantidades o etanol inicialmente possui efeito depressor sobre os neurônios dopaminérgicos do Sistema Límbico (região do cérebro responsável por nossos sentimentos e emoções). Esses neurônios inibem alguns de nossos sentimentos e emoções e portanto ação depressora do álcool sobre neurônios inibitórios leva à EXCITAÇÃO, DESINIBIÇÃO, EUFORIA. Ao continuar ingerindo álcool o mesmo atinge também outras áreas do cérebro, com ação predominantemente excitatória e (...) a partir daí começa haver inibição, sonolência, torpor e até coma..."
Em resumo, é isto: a desinibição, a excitação e a euforia são combustíveis para a mente produtiva do artista. E o trecho final destaca que não adianta os aspirantes a poeta saírem esvaziando uma garrafa de uísque... Digo mais: sem sentimento, ou com excesso de bebida, o verso não flui. O inverso, ou seja, uma boa dose de paixão misturada com uma gotinha de álcool ao coração podem produzir as melhores receitas literárias. Que me comprovem alguns poetas boêmios do passado: Bocage, Gregório e Vinicius.
A cerveja
Paixão é uma cerveja: traz, na lata,
A fórmula que mata, mas deseja
Meu corpo de bandeja inda que, inata,
Dor de cabeça exata, após, eu veja.
É vício, pois, fraqueja enquanto acata,
A qualquer hora ou data, onde eu esteja.
O frescor que festeja é o que maltrata,
E o sabor que arrebata, o que apedreja.
Desde o primeiro gole da bebida,
A minha mente entrega-se à tontura,
Num desejo maior, quanto mais pura.
Parece ao coração faltar ferida
Quando, ao auge do porre, sem saída,
Aprecio a paixão virar loucura.
Bernardo Trancoso


6 comentários:
Em suma, bebida e poesia provoca vício...
Uma boa Páscoa para si e família.
Caro Amigo Bernardo Trancoso, sei que não vai se lembrar de mim, mas eu faço parte do seu site "SONETOS.COM", meu nome é Victor Hugo Neves de Carvalho - o dito poeta solitário!!! e, nem sabia que vc tinha este blog, gostei muito viu!!! valeu!!! Eu tb tenho meu blog e gostaria que nossos bloggers fossem um junto com outro, já consegui add um lá, dê uma olhada e se quiser,pode add o meu com o seu, ficarei maravilhado. anote ai o endereço:
Blogger: http://opoeta137.blogspot.com/ - Quanto aos soneto, eu bebo socialmente e com doses de poemas entra minha amada - moderadamente, claro!!! - Foi muito bom ter feito este blog, valeu!!!!!!!!! Teu Amigo sempre: Victor Hugo.
ah setubal... ah amador
e banqueiros de outros banquinhos:
seus vermes são os mesmos que os nossos
ah setubal.... ah amador
um já foi
outro já vai
permitam-me este momento de catarse:
mas.....
nem vossa grana levanta o que já lhes é morto
aldo della monica
WWW.DELLAMONICA.COM.BR
3 CUBAS LIBRES NA CABEÇA
PORTANTO... TOTALMENTE LÚCIDO
DA LUCIDEZ VERDADEIRA
Caralho
como Bebida e Poesia
podem acessar com essa
verificação de palavras
assim complicada
opbdfg
Perfeito, amigo.
Agora sem nenhum alcool na consciência posso parabenizá-lo novamente.
É isso mesmo, o álcool, em certa dose, permite que expurguemos nossos demônios repressores para liberar nossas verdades mais verdadeiras. Aquelas que só éramos capazes de confessar diante de um arrebatador grande amor
Abraços sóbrios de
Aldo Della Monica
www.dellamonica.com.br
Gostei do teu texto! Se puder me visite, http://sindromemm.blogspot.com
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