Feliz Páscoa!
A Páscoa, tradicional festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, faz-me lembrar de alguns sonetos com invocações religiosas presentes no sítio. Vem-me à memória os famosos versos de Gregório de Mattos:
"Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória."
E outros escritos por um poeta espanhol chamado - curiosamente - Jesus Tomé:
"Te escribo sin aliento. Estoy sentado
en el borde del mundo con las piernas
colgando en el abismo como eternas
agujas de un reloj que se ha parado.
Detrás me queda el tiempo destrozado.
Y estoy clamando a Dios: 'Tú que gobiernas
mi roto corazón, ¿por qué me infiernas
a tener vida y corazón frenados?'
Cuando todo es así como una espera
donde ya es imposible esperar nada
porque todo está muerto y detenido,
y, mirando hacia atrás, se ve la hoguera
de nuestra vida inútil y apagada,
todo es tan triste como haber nacido."
Na minha opinião, esse último é um dos sonetos mais belos que existe. Tão belo que resolvi nem traduzir... Porém, nenhuma das duas obras acima possui a conotação mais representativa daquela data do que a série produzida por um assíduo freqüentador do Sonetos.com.br, Paulo Camelo. Em sua coroa de sonetos Via Sacra, de 2003, ele descreve os instantes entre a condenação do filho de Deus e a sua crucificação.
Para se ter uma idéia da grandiosidade da obra, basta dizer o que significa uma coroa de sonetos. Nela, catorze composições formam o cenário para o soneto-mestre, ou principal. Neste, formado pela junção dos últimos versos daquelas, tem-se um resumo da mensagem que todo o texto pretende passar. Para conferir a obra completa, clique aqui. Abaixo, o soneto-mestre da Via Sacra. Com vocês, Paulo Camelo. Feliz Páscoa!
Quando Pôncio Pilatos condenou,
por dizer-se homem-Deus, o Nazareno,
o murmúrio no ar não foi pequeno
e um enorme clamor logo ecoou.
Condenado a pagar nosso pecado,
Ele deu por amor a sua vida
e marcou com suor a tez sofrida,
uma marca de dor no olhar cansado.
A pesar, sobre o ombro, enorme cruz
era o peso do homem pecador,
por quem veio o seu sangue derramar.
No Calvário, a sofrer, morreu Jesus
sob os olhos da mãe, tomada em dor.
E morreu por amor, pra nos salvar.


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