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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Resultado da enquete

Segue resultado da enquete do mês de abril, a primeira deste espaço. Ela pergunta: você gosta de poesia?

  • Muuito! Eu até escrevo poemas. (50%)
  • Tenho interesse, mas não escrevo. (31%)
  • Não muito, mas respeito quem gosta. (6%)
  • Aaafe! Entrei aqui por engano. (12%)
Não deixe de responder à próxima enquete. Obrigado pela visita!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais Vinicius...

Boa notícia, caros amantes do soneto!

Está disponível na Web todo o acervo de poemas do "poetinha" Vinicius de Moraes. São no total 15 obras, doadas pelo bibliófilo José Mindlin ao projeto da Biblioteca Brasiliana USP. Há vários sonetos lá, desde os mais famosos até outros menos aclamados. O material pode ser acessado através dos links a seguir.

O caminho para a distância (1933)
Forma e exegese (1935)
Ariana, a mulher (1936)
Novos poemas (1938)
5 elegias (1943)
Poemas, sonetos e baladas (1946)
Pátria minha (1949)
Orfeu da Conceição: tragédia carioca (1956)
Livro de sonetos (1957)
Receita de mulher: volante 1 (1957)
Novos poemas: II (1948-1956) (1959)
Antologia poética (1960)
O mergulhador (1968)
Um signo: uma mulher (1975)
A casa (1975)

Meus parabéns aos responsáveis pela iniciativa. Trazer poesia como esta ao domínio público ajuda a mantê-la viva...

Retrato do poeta disponível no acervo

Boa leitura!

Fonte: IDG NOW

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Poesia em queda na Web

É preocupante...

A poesia, assim como o soneto, está ficando cada vez mais fora de moda na internet - esta não é uma suposição, mas uma afirmação. O que mostra isto é um gráfico simples feito a partir da ferramenta de busca mais popular que existe, o Google. Analisando o sítio Google Trends (www.google.com/trends), que mostra as tendências de pesquisas de termos nos últimos 6 anos, para os termos "soneto" e "poesia", e seus correspondentes no idioma inglês, observei em todos os casos a redução no índice relativo de buscas.

Um relatório desses vale mais do que mil palavras. Clique sobre a figura para ter acesso aos números.


Sem a poesia, o mundo perderá boa parte de seu encanto.

Temos que fazer algo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um pouco mais sobre Vinicius


O homem que disse que se casaria com a Marilyn Monroe é o destaque desta semana no seu blog de poesia.

A começar pela entrevista que ele concedeu à escritora Clarice Lispector para a revista Manchete, no final da década de 60, que agora se encontra divulgada em SONETOS.com.br. Nela, o "poetinha" faz a afirmação acima e fala sobre amor e mulheres, com uma linguagem ao mesmo tempo simples, sábia e sedutora, denotando que o Vinicius de Moraes da poesia é o mesmo da vida real. Cabe destacar um trecho: "Se a felicidade existe, eu só sou feliz enquanto me queimo e quando a pessoa se queima não é feliz". Profundo...

E a homenagem a Vinicius continua com duas notícias – infelizmente desconheço as fontes, embora isso apareça rabiscado em uma das imagens – que dão conta dos momentos iniciais do encontro entre ele e seu amigo e parceiro de composições Antônio Carlos Jobim. As matérias falam por si.


De repente, não mais que de repente, Vinicius nos deixou. E ganhou homenagens, virando nome de ruas e praças. Uma delas encontra-se na capital paulista, no bairro do Morumbi. Tem pista de 1,5 km para caminhada e corrida.


E a outra, mais conhecida, está situada na praia onde o compositor gravou um de seus grandes sucessos: Itapoã.


Há até uma estátua dele lá, e placas com letras de suas canções.
Para encerrar esta homenagem, nada melhor do que uma foto de Vinicius com outro grande amigo, o poeta chileno Pablo Neruda. Na visita que fiz a uma das casas deste último, em Santiago, há várias fotos em que ambos passeiam pelas ruas da cidade, o que só confirma esta amizade imortal.

Até a semana que vem!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Alexandrinos: 12 ou 14 sílabas? Poéticas ou gramaticais?


Procuro pelo verso alexandrino puro.

Lá nos meus tempos de escola, nas aulas da professora Edna e de outros tantos que me ensinaram a gostar de poesia, aprendi o que significavam sílabas poéticas e como contá-las. Descobri Camões e seus versos decassílabos heroicos, depois vieram os sáficos e, por fim, conheci os dodecassílabos, ou alexandrinos.

Há algum tempo, porém, ao pesquisar sobre os nomes destes últimos em outros idiomas, deparei-me com uma curiosa contradição: todos os dicionários da língua portuguesa pesquisados[1] descrevem-lhes como versos dodecassílabos (de 12 sílabas poéticas, com acento na sexta, embora a maioria não esclareça este ponto); em todos os dicionários espanhóis[2], entretanto, alexandrinos significam versos de 14 sílabas (neste caso, sílabas métricas ou gramaticais). Nas duas situações, a origem apontada é a mesma: um poema em francês do século XII escrito para Alexandre Magno (ou o Grande) chamado Le Roman d'Alexandre. Afinal, qual das definições é a correta?

Lendo os primeiros quatro versos do famoso poema, nota-se concordância no tamanho das sílabas poéticas:

Qui/ vers/ de/ ri/che is/toire/ veut/ em/tem/dre et/ o/ïr, (12)
Pour/ pren/dre/ bom/ e/xam/ple/ de/ proue/ce a/cuei/llir, (12)
De/ con/nois/tre/ rei/son/ d'a/mer/ et/ de/ ha/ïr, (12)
De/ ses/ a/mis/ gar/der/ et/ chie/re/ment/ te/nir, (12)

Enquanto que, se analisadas as sílabas gramaticais, há variações:

Qui/ vers/ de/ ri/Che/ is/toire/ veut/ em/tem/dre/ et/ o/ïr, (14)
Pour/ pren/dre/ bom/ e/xam/ple/ de/ proue/ce/ a/cuei/llir, (13)
De/ con/nois/tre/ rei/son/ d'/a/mer/ et/ de/ há/ïr, (13)
De/ ses/ a/mis/ gar/der/ et/ chie/re/ment/ te/nir, (12)

O mesmo continua se avaliarmos as centenas de versos seguintes da obra, que apontam claramente para o significado em português – o mesmo que aprendi na escola – sobre o seu tamanho em sílabas. Poéticas, não gramaticais. Coube, então, recorrer a outros idiomas para encontrar o porquê dos espanhóis descreverem os alexandrinos de forma distinta e, aparentemente, incorreta.

Os franceses[3] (de cuja língua nasceu a definição daqueles versos), ao invés de me ajudar, colocam mais lenha na fogueira: embora a maioria dos dicionários qualifique o alexandrino de acordo com os portugueses (1 x 0 para nós), para um deles trata-se de não de um, mas da união de dois versos de seis sílabas, ou "hemistícios". A famosa enciclopédia Larousse vai além, explicando que, se a rima for masculina, têm-se doze sílabas métricas; caso seja feminina, são treze. Como diria meu avô Pimentel, "é uma bagunça só!".

Já os ingleses[4], que em poesia inventaram uma maneira diferente de versificar sonetos (através do famoso modelo shakesperiano), também chamam os alexandrinos de "hexâmetros iâmbicos", ou seis pares de sílabas. Fazendo a conta, também chegamos às 12 sílabas do nosso idioma. Ou seja, 2 x 0 para a língua portuguesa. Mas ainda falta encontrar uma resposta adequada, que explique porque Ruben Dario escreveu seu "Soneto em alejandrinos" usando 13 ou 14 sílabas poéticas (ué, não eram gramaticais?):

Es/ al/go/ for/mi/da/ble/ que/ vio/ La/ vie/ja/ ra/za: (13)
ro/bus/to/ tro/nco/ de ar/bol/ al/ hom/bro/ de/ un/ cam/peón (14)
sal/va/je/ y a/guer/ri/do/, cu/ya/ for/ni/da/ ma/za (13)
blan/die/ra el/ bra/zo/ de Hér/cu/les/, o el/ bra/zo/ de/ San/són (14)

E quem melhor do que os italianos, que inventaram o termo soneto, para nos apontar uma solução?

Em duas das referências pesquisadas[5] na língua do Papa, há a distinção entre a métrica francesa e a italiana. A primeira concorda com uma das definições acima, ou seja, um alexandrino é um verso formado a partir de dois "hemistícios". A segunda cria um novo termo, "martelo", para identificar o duplo "setenário", este sendo um conjunto de sete sílabas gramaticais. 7 + 7 = 14! Aí está, provavelmente, a fonte de onde os espanhóis foram buscar a sua inspiração... Só um adendo: pesquisas adicionais apontam a métrica italiana como arcaica, e a francesa (que usamos) como clássica. 3 x0, então?

Se 12 ou 14 sílabas, ou ainda 13 para as rimas francesas, o importante é que os versos alexandrinos sobrevivem através dos sonetos e através dos tempos. E, independente da forma que você escolher, não se esqueça: o que vale na poesia é o conteúdo muito mais do que a forma.

Para terminar. "Procuro pelo verso alexandrino puro". Este verso é alexandrino, tanto para nós quanto para os hispânicos. Assim como o nome completo do "poeta das estrelas": Olavo Brás Matins dos Guimarães Bilac. Assim como o meu nome: Bernardo Sá Barreto Pimentel Trancoso. Curioso, não?

Até a semana que vem!

Referências:

1. Aulete: Poét. Ref. a verso de doze sílabas, ger. com acento na sexta sílaba (mas que pode recair em outras).
Houaiss: Rubrica: literatura, versificação. referente ao verso heróico de 12 sílabas, ger. com cesura (acento) na sexta (alexandrino clássico), podendo, às vezes, apresentar acento em outras sílabas, modificação introduzida pelo Romantismo [Este verso surgiu no sXII na canção de gesta francesa, e seu nome se deve ao título do poema (ou ao nome do seu autor) Le Roman d'Alexandre, sobre Alexandre Magno, de Alexandre du Bernay.] Obs.: cf. dodecassílabo
Michaelis: Poét Diz-se do verso de doze sílabas, com acento na sexta.
Priberam: Diz-se de ou verso de doze sílabas.
Aurélio: Diz-se de, ou verso de 12 sílabas; dodecassílabo.
Wikipedia: Verso alexandrino é o verso composto por doze sílabas poéticas.

2. RAE - Diccionario de la lengua española: (Por el Roman d'Alexandre, poema francés del siglo XII). adj. Se dice del verso de catorce sílabas, dividido en dos hemistiquios. U. t. c. s. m.
Diccionario de la lengua española © 2005 Espasa-Calpe: adj. y m. métr. [Verso] compuesto de catorce sílabas y dividido en dos hemistiquios, y [estrofa] formada por esos versos.
Diccionario Manual de la Lengua Española Vox. © 2007 Larousse Editorial, S.L.: Se aplica al verso que tiene catorce sílabas y está dividido en dos hemistiquios o partes separadas por una pausa: ''la princesa está triste, / ¿qué tendrá la princesa?´´ es un alejandrino de Rubén Darío.
Wikipedia: Alejandrino es el verso de catorce sílabas métricas compuesto de dos hemistiquios de siete sílabas con acento en la sexta y decimotercera sílaba, si hablamos del alejandrino clásico, ya que acepta otro tipo de acentuaciones siempre y cuando se respete la cesura o pausa entre los dos hemistiquios heptasílabos.

3. Wikipedia: L'alexandrin est, en métrique française classique, un vers composé, formé de deux hémistiches (ou sous-vers) de six syllabes chacun. Les deux hémistiches s'articulent à la césure, qui est le lieu de contraintes spécifiques.
Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales: Qualifie le vers de douze syllabes (quand la rime est masculine) ou de treize syllabes (si l'on compte l'e de la rime féminine), appelé aussi vers héroïque ou grand vers
Larousse Pratique: Vers de douze syllabes, dans la poésie française: " Comment en un plomb vil l'or pur s'est-il changé ? " est un alexandrin de Racine.

4. Wikipedia: An alexandrine is a line of poetic meter comprising 12 syllables. In syllabic verse, such as that used in French literature, an alexandrine is a line of twelve syllables. Most commonly, the line is divided into two equal parts by a caesura between the sixth and seventh syllables. Alternatively, the line is divided into three four-syllable sections by two caesuras.
The American Heritage® Dictionary of the English Language: A line of English verse composed in iambic hexameter, usually with a caesura after the third foot. A line of French verse consisting of 12 syllables with a caesura usually falling after the sixth syllable.
Dictionary.com: (often lowercase) a verse or line of poetry of twelve syllables.
Online Etymology Dictionary: verse line, 1580s, said to be from O.Fr. Roman d'Alexandre, a poem about Alexander the Great that was popular in the Middle Ages, which used a 12-syllable line of 6 feet (the Fr. heroic verse); it was used in Eng. to vary the heroic verse of 5 feet. The name also sometimes is said to be from Alexandre de Paris, medieval Fr. poet, who used such a line (and who also wrote one of the popular Alexander the Great poems).
Oxford: adjective (of a line of verse) having six iambic feet.

5. dizionario-italiano.it: verso di quattordici sillabe; nella metrica italiana, il settenario doppio.
sapere.it: si dice di un verso della metrica francese costituito da due emistichi di sei sillabe, usato per la prima volta nel poema medievale Roman d’Alexandre «Romanzo di Alessandro» (sec. xii); fu imitato in Italia con il verso martelliano.
Wikipedia: Nella metrica francese e provenzale, l'alessandrino è un verso composto da un doppio esasillabo (hexasyllabe). Nella metrica italiana all'esasillabo corrisponde il settenario, e quindi l'alessandrino, detto anche "martelliano", è un doppio settenario.